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20-11-2018

As muralhas que defenderam Guimarães na era medieval

Muralhas de Guimarães. Ao fundo o Paço dos Duques de Bragança

As muralhas de Guimarães existem desde o século XIII, época que foi construída uma única estrutura de defesa, concentrada no castelo da cidade, estendendo-se à comunidade e às principais instituições religiosas. E é devido à extensão da área abrangida que as obras começaram no reinado de Afonso III (por volta de 1265) e terminaram apenas no século 14 (em 1318).

A construção das muralhas no núcleo central da cidade foi tão importante naquela época que, inclusive, justificou a demolição dos dois conventos construídos em Guimarães pouco tempo antes (os conventos de São Domingos e de São Francisco).

Oito portas, e possivelmente nove torres, definiam um circuito militar relativamente extenso.

Grande parte da área das muralhas foi sacrificada, nos séculos 19 e 20, mas conservam-se ainda alguns trechos bastante importantes. Um deles, o mais extenso, corre ao longo da atual Avenida Alberto Sampaio (na imagem principal), sendo atualmente um ícone de inegável impacto urbanístico em Guimarães.

Passeio de charrete nas ruas históricas de Guimarães

O segundo está associado à Torre da Alfândega, o elemento militar que mais afastado estava do castelo. É numa das suas paredes que está inscrita a frase “Aqui nasceu Portugal”.

Outros vestígios existem ainda que testemunham o traçado das muralhas de Guimarães, como os dois arranques que se ligam ao castelo e que representavam o início e o fim da estrutura. Mas onde o perímetro está visivelmente comprovado é na organização das vias, na disposição dos edifícios do centro histórico e nos espaços públicos, nascidos nos séculos 19 e 20, que rodeiam o núcleo principal de Guimarães. Uma breve análise a uma vista aérea da cidade demonstra claramente esta situação: ainda que grande parte das muralhas tenham desaparecido, o seu perímetro é uma evidência.

Segundo dados históricos, a construção das muralhas ficou concluída na virada da segunda para a terceira década do século 14. Nos anos seguintes, a muralha de Guimarães resistiu a três batalhas: em 1322, quando o Infante Dom Afonso guerreava seu pai, Dom Dinis; em 1369, quando as tropas de Castela (território da Espanha atual), comandadas por Henrique II, invadiram a região Norte de Portugal; e, em 1385, quando Dom João I montou cerco aos resistentes em Guimarães.

Dom João I revelou grande afeto em relação a Guimarães. A sua marca ficou patente na renovação da Colegiada de Santa Maria, de cuja imagem românica era especial devoto, na promoção de novas construções religiosas (como os conventos da cidade), mas também na demolição da muralha interior, que separava a cidade. Com esta ação, Guimarães passou a estar fisicamente unificada.

Visão aérea do Centro Histórico de Guimarães

As fases de destruição das muralhas de Guimarães estão bastante bem documentadas. No século 19, à semelhança do que aconteceu com o castelo e com o Paço dos Duques, também as muralhas foram utilizadas como pedreiras para diversos edifícios públicos e privados. Tal fato determinou a destruição de praticamente todas as torres e portas, ilusão de progresso que continuou até meio do século 20, altura em que novas destruições foram justificadas pela construção de estradas mais largas.

Felizmente, na segunda metade do século 20, as autoridades municipais iniciaram um longo e permanente processo de preservação e reabilitação do centro histórico que é considerado exemplar em Portugal e na Europa. Tanto que Guimarães conseguiu ser coroada como Patrimônio Mundial da Humanidade, pela UNESCO, e foi escolhida como Capital Europeia da Cultura, em 2012, evento que colocou a cidade no mapa de grandes shows e manifestações artísticas, reforçando, assim, sua atração turística.

Obs. – Texto adaptado de um original disponível no site da Direção Geral do Património Cultural, do Ministério da Cultura de Portugal. Link: goo.gl/qxm7sN.

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